25/07/2009

Delirium tremens

Socorro! Degolar-me-á a compulsão
Que se ruma sentido ao Álcool enjaulado.
Assim sendo, prostro-me: com pus hão
De celebrar, tu e esse demônio ao lado.

Trêmulo. De Satanás o sangue mui
Apraz: bebi-o, e vomitei uma alma viva.
A lasca de Rocha* a um Pedro, que rui,
Pra incrustar o exorcismo, é tempestiva?

Socorro! Credulidade sã, inconsútil...
Bebe, mas invoca a Onipotência útil,
Que quebre a tempo esta herança.

Maldito o cálice com veneno tinto!
E sê cerceada de todo solo, recinto,
A videira próxima à minha criança!
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(da série Engavetados)
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*atinente, também, à minha filha tão estimada e bem-vinda, e à sua genitora, haja vista que ambas têm o sobrenome Rocha.

3 comentários:

Manoel Soares Magalhães disse...

Ô Roberto! Que poema, amigo!!!! Parabéns!!!!

João Paulo Ribeiro disse...

Grande poeta, sontista volta aos velhos tempos. "O céu cai das pombas"

Solte essa franga disse...

QUEM É ROBERTO?