15/06/2009

Claro, ele amava Maria

Claro, ele amava Maria. Ela, em meio à turba apática, perdeu-se pra salvá-lo do vício, sarjeta e crime. Jesus era foragido, e dormia ali, se é que dormia, encardindo-se com outros viciados em estórias. Maria tenta passar por ele, mas sua empatia freou ali mesmo. Jesus pediu algum dinheiro. Ela disse que não, mas que um pão, sim. Dali adiante, nos arredores do terminal rodoviário, o amor desencravou-se. Visitas diárias. Roupas limpas, sapatos e audições apertadas. Jesus tomou banho na rodoviária e aceitou o convite de acompanhá-la. E em que tenha pesado todo o preconceito, perseguição e escândalo que os coroavam, assumiram-se.

Jesus e Maria, 7 anos de enlace. Jesus chora. Precisa entregar a Maria uma carta, mas não sabe como. Jesus, que agora cumpre pena em regime semi-aberto, não sabe mais onde enterrou Maria.

Um comentário:

Si, fosse algo disse...

E porquê iríamos querer estórias óbvias e de finais felizes qdo a vida nem sabe mais o que é isso?
Adorei o texto.

Bjs